Stress

A vida não é possível sem "stress", existe um grau inerente de tensão à vida que precisamente nos faz reagir e adaptar, sobreviver. Com uma mudança de atitude, alimentação e actividade física, pode transformar o "stress" em vitalidade.
O Verão não é talvez a melhor altura do ano para estar a escrever sobre "stress" mas atendendo ao facto de esta palavra ser proferida por todos nós, tantas vezes por dia ao longo do ano, faz para mim sentido falar sobre "stress" em qualquer época.
Especialmente, quando os sintomas de um problema que não é problema, de uma doença que não é doença afecta de forma dramática tantas pessoas na nossa sociedade e, paradoxalmente, quando temos tantos artefactos e um estilo de vida que supostamente deviam tornar a vida muito mais cómoda, descontraída e funcional.
"stress" é uma palavra inglesa (que foi adoptada em quase todos os idiomas do mundo ocidental) que significa tensão e é utilizada para definir a sensação de desgaste que os nossos corpos experimentam à medida que nos ajustamos a um ambiente em mudança constante. Na realidade, a vida não é possível sem "stress", existe um grau inerente de tensão à vida que precisamente nos faz reagir e adaptar, sobreviver.
Como influência positiva, o "stress" pode compelir-nos à acção; pode fornecer-nos uma nova consciência e uma perspectiva nova e excitante. Como influência negativa, pode resultar em sensações de desconfiança, rejeição, zanga e depressão, que por sua vez podem dar origem a problemas de saúde como dores de cabeça, de estômago, insónia, úlceras, hipertensão.
Um ponto regra geral não mencionado quando falamos de "stress" é que este é bastante subjectivo e baseia-se muito numa questão de percepção individual: ou seja, nem todas as pessoas reagem da mesma forma aos mesmos eventos, e cada um de nós reage de formas diferentes ao mesmo acontecimentos - os mesmos factores que paralisam de medo ou preocupação alguns de nós, servem para outros como um tremendo catalisador de vitalidade, imaginação e criatividade; há dias (ou horas) em que uma notícia qualquer nos deixa completamente transtornados e outros em que a mesma notícia nos faz rir ao apreciarmos o paradoxo brutal que pode ser a vida. Basicamente, o "stress" é relativo e correndo o risco de poder parecer sádico, o "stress" pode ser altamente positivo.
Quais são então os factores que determinam o nosso grau de "stress"? Como podemos transformar o "stress" em vitalidade? Estas questões são debatidas pelos psicoterapeutas que estudam estas áreas e actualmente existe um número crescente de empresas que tenta incorporar no dia a dia da empresa técnicas que visam minorar a sensação de "stress" vivenciada pelos funcionários.
Há cerca de dois anos fui contactado pela multinacional petrolífera BP/Mobil para organizar um programa eficaz para administrar níveis elevados de "stress" e compraz-me dizer que o "feedback" obtido foi altamente positivo; durante cerca de 2 meses proferi palestras nas diferentes instalações da BP/Mobil onde falei sobre os efeitos da atitude, alimentação, respiração e outros factores na nossa percepção de "stress". Faço-lhe de seguida um resumo dos pontos focados neste programa e espero que estes o possam ajudar também a conviver com este "mal" moderno.
Factores que influenciam a nossa percepção do "stress":
Aspectos Constitucionais - existem pessoas geneticamente mais sujeitas ao "stress" do que outras; nestas, os factores de "stress" tendem a ser amplificados em grande escala e são pessoas stressadas por natureza. Os aspectos constitucionais são, na minha opinião, maioritariamente criados durante o período de gravidez por factores como o estilo de vida e vivência emocional da mãe, influências biológicas (alimentos e bebidas, sono entre outras) e ancestrais (se somos oriundos de uma família de pessoas muito tensas temos grandes probabilidades de nos tornarmos num indivíduo stressado).
Se este é o seu caso, tenha em particular atenção os seguintes factores:
Perspectiva de Vida - aprenda a ser menos competitivo e/ou menos perfeccionista; encare as situações de conflito como um desafio; aprenda a ver os problemas sob um outro ângulo - a maioria das vezes que analisamos um problema qualquer segundo outro ponto de vista, o problema assume características totalmente diferentes; na língua chinesa a palavra crise e oportunidade escrevem-se e proferem-se da mesma maneira, são a mesma palavra. Em situações de crise considere que tem ali mesmo uma oportunidade extraordinária para mudar a situação para melhor. Utilize essa oportunidade como uma alavanca para andar para a frente.
Actividade Física e Modo de Vida - a maioria das escola de psicoterapia modernas considera a actividade física como uma ferramenta valiosa e insubstituível na gestão do "stress". Dê pelo menos um passeio diário de meia hora, pratique um desporto qualquer que lhe dê prazer ou pratique actividades como o Yoga, Tai Chi ou meditação, que inquestionavelmente ajudam a melhorar a percepção de "stress". Acima de tudo, aprenda a respirar e quando se sentir "a explodir", concentre-se na sua respiração (que está seguramente mais entrecortada) e comece a respirar duma forma mais lenta e profunda.
Alimentação - a alimentação desempenha também um papel fundamental no "stress"; os alimentos que mais contribuem para o "stress" são produtos animais - que nos tornam mais tensos e agressivos e com maior dificuldade em descontrair - e alimentos estimulantes como café, especiarias, refrigerantes. Uma tensão excessiva está geralmente relacionada com níveis de açúcar baixos e sobrecarga do fígado e glândulas supra-renais.
Coma predominantemente alimentos de origem vegetal dando particular ênfase aos cereais e aos vegetais.
Se quando ler este artigo estiver de férias e se sentir mesmo descontraído, esta é a melhor altura para se preparar emocional e biologicamente para mais um ano de trabalho. Tente seguir estes conselhos e provavelmente passará a ver o "stress" de outra maneira.