FS 2 | Feng Shui - Adaptar sem desvirtuar

O feng shui mais intuitivo e simbólico é uma abordagem um pouco diferente, que obviamente se baseia nos conhecimentos ancestrais orientais, mas é necessariamente adaptada ao aqui e ao agora. E este pormenor é muito importante, este aparente pequeno pormenor desta adaptação ao nosso espaço e tempo em concreto. Em termos práticos, nós temos, neste contexto social e histórico, acesso a uma série de informação da cultura chinesa, da sua história, metafísica e cosmologia. Esta sistematização da informação e codificação de experiências tem o valor que tem. É uma cultura que tem uma envolvência de espaço/tempo e continuidade.
Os chineses são muito ciosos e orgulhosos da sua cultura e história. Têm razões para isso. Eles sabem o valor intrínseco da sua linhagem histórica e cultural. É uma cultura que tem uma história ininterrupta desde o Neolítico, o que não é o caso da Europa nem de Portugal, por exemplo. Eles têm uma linhagem que conseguem sequencialmente seguir. É importante esta característica histórica, pois dá acesso a camadas e a uma profundidade de conhecimento vedado a outras cosmologias. Claro que os chineses são muito orgulhosos desta sua herança cultural e energética.
Nunca nos podemos esquecer que o feng shui e a sua experiência reportam a um tempo (história) e uma geografia (espaço) que não são os nossos. E isso é muito importante, porque quando lemos, aprendemos e experienciamos em função desta cosmologia, deve sempre haver uma necessária adaptação ao aqui e ao agora.
Não tenham ilusões que a prática actual e ocidental de feng shui é igual à prática de um chinês. Não é de todo possível. Existe todo um conjunto de teoria e abstracções que podemos importar, mas há uma questão fundamental, o feng shui nunca é teórico, é prático e experiencial. Representa a leitura das sensações, a análise, o diagnóstico do espaço e do tempo no aqui e no agora, sempre o aqui e o agora. Esta adaptação é fundamental.
Trabalhei alguns anos com feng shui clássico ou tradicional. Trata-se de um método em que se tem de aprender uma série de caracteres e “contas”. A análise do espaço é feita com contas em chinês, uma espécie de matemática energética. É sem dúvida um método interessante. Mas na prática, toda a base teórica e muitas das conclusões, desde a forma de interpretar o espaço às curas, foram criadas em função de uma cultura, de um fluxo mental, que não é o nosso. E isto é muito importante quando começamos a falar das chamadas receitas. Se quero dinheiro, ponho moedas, se quero sorte ponho um sapo, etc. Quando começamos a falar das receitas começamos a perceber que há muitos livros e abordagens que se contradizem, pois baseiam-se nesta causa-efeito (aparentemente) simplista.
O uso destas receitas implica o uso de simbologia de uma civilização, de uma cultura que não é a nossa, pelo que não vai vibrar totalmente com a nossa energia ou intenção. Especialmente com a frequência energética da nossa cultura, história, corpo, espaço ou geografia.
As abordagens contemporâneas de feng shui não são de todo reconhecidas pelos chineses. Para eles este tipo de abordagens é uma piada, mas esta questão não serve para retirar interesse a estes métodos ocidentalizados. De todo. Serve para reforçar a importância da tradução e adaptação deste conhecimento para o aqui e o agora, traduzir esta informação oriental milenar para o presente, para que seja integrada e experienciada totalmente no aqui e no agora.
adaptado de Colecção Casa Simbólica, Volume 1, Sofia Batalha
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